Odu Obará: riqueza, liderança e brilho que nasce depois da prova.
Obará é um dos dezesseis Odus sagrados, representado no merindilogun pela queda de seis búzios virados. É considerado o Odu da riqueza, da fartura, da liderança e do brilho que emerge da escuridão.
Neste Odu respondem Oxóssi, Xangô, Logunedê e Oxumarê, trazendo força, justiça, caça, fartura, movimento, renovação, nobreza e transformação.
Obará desenvolve seus filhos através da riqueza e do brilho. A prosperidade aparece quando a pessoa busca a positividade do Odu, sustenta humildade, liderança e espiritualidade na própria caminhada.
Não é só pedir prosperidade. É alinhar postura, caminho e merecimento.
O Ritual de Obará trabalha a energia da fartura, da abertura de caminhos e da reorganização da vida material. A proposta não é alimentar ilusão, mas fortalecer a pessoa para enxergar oportunidades, sair da estagnação e assumir compromisso com o próprio caminho.
A lenda de Obará ensina que o tesouro estava escondido justamente naquilo que os outros desprezaram. Por isso, este ritual se conecta à humildade, ao esforço, à generosidade e à capacidade de transformar o pouco em caminho fértil.
A riqueza que nasce da humildade, da escuta e da postura.
As lendas de Obará explicam por que este Odu é ligado à prosperidade, à fartura e à transformação do destino. Aqui, riqueza não aparece como vaidade nem promessa fácil. Ela surge quando a pessoa não despreza o simples, não abandona a própria fé e tem humildade para cumprir o que precisa ser feito.
A riqueza de Obará
Nos tempos em que o mundo ainda aprendia seus próprios mistérios, existiam dezesseis irmãos Odus. Entre todos, Obará era o mais humilde e o mais pobre, vivendo numa casinha de palha no meio da floresta, enquanto os outros habitavam casas de pedra e comiam das terras férteis.
Era chegado o tempo da visita anual ao sábio babalaô. Os quinze irmãos saíram juntos em procissão, com roupas belas e passo altivo. Quando chegaram diante do babalaô, ele olhou ao redor e perguntou onde estava o irmão mais pobre. Os outros, envergonhados, disseram que Obará havia adoecido e não pôde comparecer, pois tinham vergonha de levá-lo consigo.
A visita à casa de Obará
No caminho de volta, porém, os quinze irmãos resolveram parar na casa de Obará. Eram muitos e chegaram com fome, e Obará, fiel ao seu coração generoso, não negou o que tinha. Partilhou tudo o que havia em sua casa, sem guardar nada para si.
Quando os irmãos estavam saciados e prontos para ir embora, cada um deixou para trás a moranga que o babalaô havia dado de presente. Reclamavam entre si pelo caminho: “Moranga? Isso é presente que se dê?” Jogaram fora sem sequer abrir, com o mesmo desdém com que desprezavam o irmão pobre.
E assim foram embora, deixando as morangas empilhadas no canto da casa de Obará, como se fossem lixo.
O segredo das morangas
Quando a casa ficou vazia e silenciosa, Obará olhou ao redor. Os irmãos haviam comido tudo o que havia. Não restava nada nos armários, nada na panela. Tudo o que sobrava eram as morangas que os irmãos abandonaram.
Sem orgulho e sem hesitar, Obará pegou as morangas e foi cozinhá-las, pois eram o único alimento que lhe restava. Enquanto as abria para preparar, percebeu que por dentro cada moranga estava repleta de ouro, de riquezas e de abundância. As sementes eram de prosperidade. O que os irmãos desprezaram e deixaram para trás era exatamente o tesouro que estavam buscando.
Assim ficou estabelecido: Obará, o mais humilde entre os irmãos, seria o Odu da riqueza. Não porque a riqueza caiu do céu sobre ele, mas porque ele foi o único capaz de recebê-la sem orgulho.
O ensinamento do Oluwo
Conta-se ainda que, no princípio do mundo, quinze dos dezesseis Odus foram juntos à casa do Oluwo, o grande sacerdote, em busca de meios para mudar sua sorte e seu destino. O sábio os orientou e deu instruções a cada um. Mas nenhum dos quinze fez o que o Oluwo havia determinado. Foram embora sem cumprir o que se pedia, por vaidade ou por impaciência.
Obará, que não estava presente, ficou sabendo do ocorrido e tomou uma decisão: apressou-se a ir, mesmo sem ter sido chamado junto com os outros. Chegou ao Oluwo, ouviu as orientações com atenção e, com afinco e máximo esforço, fez tudo o que foi pedido, mesmo estando em condição de pobreza.
O que os outros não fizeram por capricho, Obará fez por necessidade, humildade e força de vontade. E foi exatamente esse empenho que mudou o curso de seu destino.
O que a lenda ensina
A lenda de Obará não é apenas sobre riqueza material. É sobre o tipo de pessoa que o Odu constrói: alguém que passou pela pobreza sem perder a dignidade, que partilhou o pouco que tinha sem hesitar, que encontrou o tesouro justamente no que os outros desprezaram e deixaram para trás.
Obará ensina que a fartura começa na postura. A moranga deixada pelos irmãos na casa do pobre era a mesma moranga que encheu a vida de Obará de ouro. A diferença não estava na moranga. Estava em quem a recebeu sem orgulho, quem a carregou sem vergonha e quem a abriu sem saber o que encontraria dentro.
Material da oferenda central e material individual.
Os elementos de Obará trabalham fartura, ciclos, sementes, prosperidade, alimento, doçura e sustentação. A moranga e o louro têm importância especial pela ligação com a riqueza escondida e com a abertura dos caminhos.
Frutas
- Maçãs vermelhas
- Maçãs verdes
- Uvas rubi
- Uvas verdes
- Kiwi
- Abacates
- Peras
- Ameixas
- Melão
- Mamões
- Banana
- Pêssegos
- Morango
- Cocos-marrons
Vegetais e natureza
- Espigas de milho
- Quiabos
- Maço de louro
- Canjica
- Milho de galinha
- Feijão fradinho
- Moranga inteira e bonita
- Pães elaborados, sem recheio
Doces
- Cocada
- Maria mole
- Beijinho
- Fatia de bolo
- Quindim
- Suspiros
Armarinho e velas
- Tecidos
- Fitas
- Velas coloridas de 7 dias
Material individual
- Alpiste
- Girassol
- Arroz com casca
- Lentilha
- Milho de galinha
- Linhaça dourada
- Folhas de louro verdes, inteiras e frescas
- Moranga inteira e bonita
- Alguidar
- Moedas de R$1,00
Velas palito
- Azul escuro
- Amarela
- Verde
- Vermelha
- Azul claro
- Laranja
- Roxa
Quem sentir de participar, chama no WhatsApp.
O ritual é preparado com responsabilidade espiritual, intenção clara e respeito aos fundamentos da casa.
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